O ano de 2026 traz novas atualizações para a carteira dos portugueses. A mais significativa é, sem dúvida, o aumento do Salário Mínimo Nacional. O Governo fixou o novo valor em 920 euros brutos.
No entanto, o valor anunciado raramente corresponde ao dinheiro que entra na conta bancária. Quanto vai sobrar depois dos impostos? E como se compara Portugal com o resto da Europa?
Neste artigo, explicamos tudo sobre o aumento, fazemos as contas ao salário líquido e analisamos o contexto europeu.

Aumento para 920 euros: O que muda?
A partir de 1 de janeiro de 2026, a Remuneração Mínima Mensal Garantida (RMMG) sobe para 920 euros. Este valor representa um aumento direto de 50 euros face aos 870 euros praticados em 2025.
Esta atualização segue o plano traçado no Acordo de Médio Prazo de Melhoria dos Rendimentos. O objetivo principal deste acordo consiste em valorizar os salários e combater a perda de poder de compra. Além disso, a meta final é atingir os 1.020 euros em 2028.
Portanto, este aumento não é isolado. Ele faz parte de uma estratégia contínua de valorização salarial. Contudo, os trabalhadores questionam frequentemente se este aumento compensa a inflação sentida nos supermercados e na habitação.
Salário Líquido: Quanto vai receber efetivamente?
Saber o valor bruto é importante, mas o salário líquido é o que paga as contas. Para calcular o valor real, temos de subtrair os descontos obrigatórios.
Em Portugal, quem recebe o salário mínimo está isento de retenção na fonte de IRS. Todavia, tem de descontar obrigatoriamente para a Segurança Social.
As contas passo a passo
O trabalhador desconta 11% do seu salário bruto para a Segurança Social. Desta forma, as contas para 2026 são as seguintes:
- Salário Bruto: 920,00 €
- Desconto Segurança Social (11%): 101,20 €
- IRS: 0,00 €
- Salário Líquido Final: 818,80 €
Assim, receberá 818,80 euros na sua conta ao final do mês.
Comparativamente a 2025, o ganho líquido é visível. No ano anterior, o valor líquido rondava os 774 euros. Consequentemente, terá um aumento real de aproximadamente 44,50 euros mensais.
Por outro lado, não se esqueça do subsídio de alimentação. Se a empresa pagar este subsídio (que não é obrigatório por lei), o seu rendimento mensal será superior. Atualmente, este valor está isento de impostos até 6 euros (em dinheiro) ou 9,60 euros (em cartão).
O custo para as empresas
O aumento do salário mínimo também afeta as empresas. O empregador paga o salário bruto e ainda a Taxa Social Única (TSU) de 23,75%.
Portanto, por cada trabalhador a ganhar 920 euros, a empresa paga mais 218,50 euros à Segurança Social. O custo total para a empresa é de 1.138,50 euros, fora o subsídio de alimentação e seguros.
Portugal vs. União Europeia: Onde ficamos?
Muitos portugueses comparam o seu ordenado com o praticado noutros países. Como se posiciona Portugal no ranking da União Europeia em 2026?
Para fazer uma comparação justa, o Eurostat ajusta os valores. Como Portugal paga 14 meses (subsídios de férias e Natal), e muitos países pagam apenas 12, o valor é recalculado.
Assim, os 920 euros portugueses correspondem a cerca de 1.073 euros na comparação europeia (920 x 14 / 12).
O topo e a cauda da Europa
Mesmo com este ajuste, a diferença é grande. Vejamos alguns exemplos:
- Luxemburgo: Lidera a tabela destacados. O salário mínimo ultrapassa os 2.500 euros.
- Alemanha e Países Baixos: Estes países pagam acima de 2.000 euros mensais.
- Espanha: Os nossos vizinhos praticam valores superiores a 1.300 euros (ajustados).
Neste cenário, Portugal ocupa uma posição intermédia. Estamos próximos da Polónia, Lituânia e Grécia.
Contudo, ainda estamos longe da cauda da Europa. Países como a Bulgária e a Roménia apresentam salários mínimos consideravelmente inferiores aos nossos.
Além disso, países como a Dinamarca, Itália ou Áustria não têm salário mínimo nacional. Lá, os sindicatos negociam salários setoriais que são, geralmente, muito elevados.
Conclusão
O ano de 2026 traz um reforço no rendimento das famílias. O salário mínimo sobe para 920 euros brutos, o que resulta em 818,80 euros líquidos.
Apesar deste aumento, Portugal continua a meio da tabela europeia. O desafio mantém-se: garantir que este aumento nominal se traduz num aumento real do poder de compra face à inflação.
Agora que já sabe o valor exato que vai receber, pode planear melhor o seu orçamento familiar para o novo ano.
Artigo de interesse: Como Gerir o Orçamento em Portugal – WorkMarkets




