Panorama Semanal: Resumo dos Mercados Financeiros

A terceira semana de dezembro de 2025 ficará na história como o momento em que a inflação deu sinais claros de trégua. Os investidores iniciaram a semana com cautela, mas o otimismo cresceu após a divulgação de dados macroeconómicos vitais. O foco principal esteve nos Estados Unidos, mas a Europa e a Ásia também desempenharam papéis fundamentais.

Inflação nos EUA (CPI): A Grande Surpresa Positiva

O dado mais aguardado foi o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA, divulgado na quinta-feira. O mercado esperava uma inflação anual de 3,1%. No entanto, o número real veio em 2,7%, o nível mais baixo desde julho de 2025.

Este arrefecimento foi impulsionado pela queda nos preços de bens duradouros e uma estabilização nos custos de energia. O núcleo da inflação (Core CPI) também caiu para 2,6%, superando as previsões de 3,0%. Estes números sugerem que a política monetária restritiva do Federal Reserve está finalmente a surtir o efeito desejado.

Mercado de Trabalho: O Equilíbrio Delicado

Os dados do desemprego e do Payroll trouxeram uma visão mista, mas globalmente positiva. A economia americana adicionou 64 mil vagas em novembro, superando a estimativa de 50 mil. Por outro lado, a taxa de desemprego subiu ligeiramente para 4,6%, atingindo o nível mais alto em quatro anos.

Embora o desemprego tenha subido, o mercado interpretou isto como uma “normalização saudável”. Não houve sinais de uma recessão profunda imediata. Pelo contrário, o arrefecimento no ritmo de contratações retira pressão sobre os salários, o que ajuda no combate à inflação.


Reuniões dos Bancos Centrais: Caminhos Divergentes

A semana foi intensa para os decisores de política monetária ao redor do globo. As decisões influenciaram diretamente as taxas de câmbio e os rendimentos dos títulos soberanos.

Banco da Inglaterra (BoE) e BCE

O Banco da Inglaterra (BoE) decidiu cortar a sua taxa de juro para 3,75%. Esta medida foi tomada após a inflação no Reino Unido ter caído mais do que o previsto. Em contraste, o Banco Central Europeu (BCE) optou por manter as taxas inalteradas em 2,0%. A presidente Christine Lagarde enfatizou uma postura dependente de dados, mantendo a prudência face às incertezas geopolíticas.

Federal Reserve (Fed)

Embora o Fed não tenha tido reunião de decisão de taxa esta semana, as declarações de oficiais como Austan Goolsbee foram monitorizadas. O tom foi de cautela otimista. O mercado agora precifica com mais força novos cortes de juros para o início de 2026, dado o recuo acentuado do CPI.


Resultados Empresariais e Setor Tecnológico

A semana não foi isenta de volatilidade, especialmente no setor tecnológico. No início da semana, as ações da Oracle e da Broadcom sofreram pressão devido a preocupações com o financiamento de centros de dados de IA.

No entanto, a recuperação veio após os dados de inflação. Empresas como a Micron e gigantes do retalho beneficiaram da perspetiva de juros mais baixos. O mercado de capitais mostrou resiliência, com os investidores a aproveitarem as correções para aumentar posições em empresas de crescimento.


Desempenho dos Principais Ativos

Abaixo, apresentamos uma tabela detalhada com as variações dos ativos mais importantes durante a semana:

AtivoFecho Estimado / TendênciaImpacto Principal
S&P 500Alta (+1,2%)Impulsionado pelo CPI abaixo do esperado.
Nasdaq 100Alta (+1,5%)Recuperação após volatilidade inicial em IA.
EUR/USDEstável (1,1720)Volatilidade após CPI, mas devolveu ganhos.
DXY (Dólar)Baixa (98.40)Pressão vendedora devido a juros menores.
Ouro (Gold)Alta ($4.300+)Ativo de refúgio e resposta ao dólar fraco.
Petróleo (WTI)Baixa (-4% na semana)Preocupações com excesso de oferta global.

S&P 500 e Nasdaq 100

Os índices americanos recuperaram das perdas de sexta-feira passada. O S&P 500 aproximou-se novamente de máximos históricos. O Nasdaq 100 liderou os ganhos, pois as empresas de tecnologia são as mais sensíveis às variações nas taxas de juro de longo prazo.

Moedas: EUR/USD e DXY

O índice do dólar (DXY) apresentou fraqueza global. Com a inflação a cair, os rendimentos dos Treasuries também recuaram, tornando o dólar menos atrativo. O par EUR/USD chegou a testar os 1,1760, mas fechou a semana próximo de 1,1720, refletindo a postura ainda cautelosa do BCE.

Commodities: Ouro e Petróleo

O ouro brilhou nesta semana, ultrapassando a marca dos $4.300 por onça. Além da queda do dólar, as tensões geopolíticas continuam a sustentar a procura pelo metal precioso. Já o petróleo enfrentou dificuldades. O aumento da produção russa e sinais de abrandamento na China pesaram sobre os preços do WTI.


O Que Esperar para a Próxima Semana?

Com a aproximação das festividades de final de ano, a liquidez tende a diminuir. Contudo, a agenda económica ainda reserva dados importantes, como o PIB anualizado dos EUA e os pedidos semanais de subsídio de desemprego.

  • Dica para Investidores: Monitorize o volume de negociação, pois movimentos bruscos podem ocorrer em mercados com pouca liquidez.
  • Foco na Inflação: A confirmação da tendência de queda pode consolidar o “Rally de Natal”.

A semana provou que a macroeconomia ainda dita as regras. O controlo da inflação é a notícia que o mercado precisava para fechar 2025 com uma nota positiva.

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