Por que a aleatoriedade do mercado exige uma abordagem baseada em probabilidade, paciência e a ausência estratégica de Stop Loss.
No mundo do trading, a maioria dos iniciantes é ensinada a seguir fórmulas rígidas: suporte, resistência e um Stop Loss colado à entrada. No entanto, as estatísticas mostram que 90% desses traders perdem dinheiro. Porquê? Porque tentam aplicar lógica linear a um sistema que é intrinsecamente caótico.
Neste artigo, vou detalhar a minha estratégia de Forex sem Stop Loss, uma metodologia que desenvolvi para navegar exclusivamente no mercado de moedas. Esta abordagem não se baseia em adivinhar o próximo movimento, mas em aceitar a natureza do mercado e gerir o capital através de sete pilares fundamentais.
1. O Axioma da Aleatoriedade: Ninguém Sabe de Nada
O primeiro pilar da minha estratégia é a aceitação da aleatoriedade. No Forex, nenhum trader individual sabe o que as cotações farão no minuto seguinte. Apenas os grandes bancos centrais e os fundos institucionais têm o volume necessário para mover o preço.
Quantas vezes viste o mercado cair após uma notícia económica positiva para esse par? Ou subir após um corte nas taxas de juro? Esta desconexão prova que o mercado é aleatório para o pequeno investidor. Tentar prever o “porquê” de cada vela é um exercício fútil. A minha estratégia parte do princípio de que o preço pode ir para qualquer lado, e é a nossa gestão que dita o lucro, não a previsão.
2. Ciclicidade: O Regresso ao Equilíbrio
Enquanto as ações podem ir a zero e as empresas podem falir, as moedas dos países desenvolvidos (Majors) são cíclicas. Se olhares para o gráfico do EUR/USD, verás que o câmbio de hoje é o mesmo que visitámos em 2021, 2017, 2015 e até 1999.

As economias desenvolvidas tendem a equilibrar-se. Uma moeda demasiado forte prejudica as exportações; uma demasiado fraca gera inflação. Este “puxa e empurra” faz com que o preço regresse a áreas médias em algum momento.
Nota de Exceção: Esta ciclicidade aplica-se menos a pares com o CHF (Franco Suíço) ou JPY (Iene), devido às particularidades deflacionárias ou políticas de taxas negativas destas economias, que tendem a gerar tendências de décadas.
3. Probabilidade: O Tempo como Aliado
Se analisarmos o gráfico semanal, a estatística está do nosso lado. Após um período prolongado de subida, a probabilidade dita que o preço ou lateraliza ou desce. O mercado não sobe em linha reta eternamente. A minha estratégia utiliza esta probabilidade temporal para identificar zonas de exaustão. Se o preço caiu durante seis semanas consecutivas, a probabilidade de um ressalto ou correção técnica aumenta exponencialmente.

4. Tendência com Heiken Ashi: A Direção do Fluxo
Apesar da aleatoriedade de curto prazo, existem fluxos de capital que definem tendências. Para filtrar o ruído, utilizo as velas Heiken Ashi no gráfico semanal.
- Velas Verdes: Confirmam uma tendência de alta sólida.
- Velas Vermelhas: Confirmam uma tendência de baixa.
Só realizo trades a favor do movimento definido pelo Heiken Ashi semanal. Se o semanal é de queda, procuro apenas entradas de venda, garantindo que o “vento” macro está a favor da minha posição.

What are Heikin Ashi Candles? – WorkMarkets
5. Volume Proporcional: A Arte da Entrada Fracionada
Aqui reside o segredo da longevidade. Em vez de entrar com um lote grande num único ponto (o que me tornaria refém desse preço), utilizo volume proporcional. Realizo pequenas entradas à medida que o preço se move.
Se os pontos anteriores (Aleatoriedade, Ciclicidade e Probabilidade) derem sinal, abro uma posição minúscula. Se o preço continuar contra, abro outra. Isto permite-me abranger toda uma área de possível reversão. Em vez de um ponto de entrada, tenho um preço médio equilibrado. Se o mercado reverter em qualquer ponto daquela área, a posição torna-se lucrativa rapidamente.
6. O Tabu: Não usar Stop Loss
Este é o ponto mais controverso, mas é suportado pelo volume proporcional. Como as entradas são extremamente pequenas em relação ao capital da conta, mesmo que o preço se mova 500 pips contra nós, a perda latente (floating) é mínima.
O Stop Loss no Forex de retalho é frequentemente usado pelos grandes players para caçar liquidez (stop hunt). Ao não usar um stop fixo, dou espaço ao mercado para respirar. Como sei que o mercado é cíclico e as minhas entradas são fracionadas, o tempo joga a meu favor. O preço tem a liberdade de se mexer até que a tese de ciclicidade se confirme.
Para entenderes por que não uso stop fixo, lê o meu artigo sobre O Paradoxo do Stop Loss.
7. Paciência: O Fator Psicológico
Ao remover o Stop Loss e usar volumes pequenos, removo a pressão emocional. Um trader que arrisca 5% da conta num único trade vive em stress. Um trader que arrisca 0.1% em várias entradas sabe que pode aguardar dias, semanas ou até meses para que o ciclo se complete. A paciência não é apenas uma virtude; é uma componente técnica da gestão de risco desta estratégia.
8. Hedge: A Proteção Ativa
Se as condições do mercado mudarem drasticamente (um evento de “Cisne Negro”), não ficamos parados. Utilizamos técnicas de Hedge (posições opostas). O Hedge permite “congelar” a perda latente ou criar novas entradas que facilitam a saída do conjunto de posições (basket) com lucro ou em breakeven. É uma ferramenta de proteção ativa que substitui a rigidez do Stop Loss.
Conclusão: Uma Estratégia de Resistência
Esta estratégia de Forex não é sobre ter razão; é sobre ser o último a sair do campo de batalha. Ao aceitar a aleatoriedade e confiar na ciclicidade das moedas globais, transformamos o trading num jogo de gestão de inventário e paciência.
Aviso: Esta metodologia exige uma disciplina férrea no cálculo do volume inicial. Nunca deves usar esta estratégia com alavancagem excessiva.




