A última reunião da Reserva Federal (Fed) de 2025 aproxima-se e a tensão aumenta. O mercado financeiro aguarda ansiosamente uma definição sobre as taxas de juro. Recentemente, a maioria dos economistas reforçou as suas apostas num novo corte.
No entanto, nem tudo são certezas. Existe uma divisão clara entre os decisores políticos do banco central norte-americano. Será que a Fed vai avançar com o alívio ou optará pela prudência?
Neste artigo, analisamos as previsões dos especialistas, a divisão interna na Fed e o impacto esperado nos mercados e no dólar.
Economistas Insistem no Corte
Apesar dos sinais mistos da economia, os economistas apostam no corte de juros. Dados recentes sugerem que a inflação continua a trajetória descendente. Além disso, o mercado de trabalho nos EUA mostra alguns sinais de abrandamento.
Por isso, os economistas consultados pela Reuters acreditam que dezembro é o momento certo. Para eles, adiar a descida das taxas poderia prejudicar o crescimento económico em 2026. A lógica é simples: a política monetária precisa de ser menos restritiva agora.
Consequentemente, as probabilidades implícitas nos mercados de futuros subiram. Os investidores alinham-se com os economistas. Todos esperam um “presente” de Natal sob a forma de taxas mais baixas.

A Divisão Interna na Fed
Contudo, a decisão não é unânime dentro da Reserva Federal. As atas das reuniões anteriores revelam divergências significativas.
Por um lado, alguns membros defendem a manutenção das taxas. Eles argumentam que a economia ainda está demasiado forte. Temem que um corte prematuro reacenda a inflação. Estes membros, conhecidos como “falcões”, preferem esperar por dados mais concretos no início de 2026.
Por outro lado, existe o grupo que defende o apoio ao emprego. Eles alertam para os riscos de manter os juros altos por tempo demais. Esta divisão interna complica a tarefa de Jerome Powell. O presidente da Fed terá de construir um consenso difícil nos próximos dias.
Impacto nos Mercados Financeiros: O Fator Powell
Os investidores adoram taxas de juro mais baixas. Contudo, é fundamental sublinhar um ponto crucial: o corte de 25 pontos base em dezembro já está descontado nos preços atuais. Os mercados já absorveram essa probabilidade.
Portanto, a reação imediata do S&P 500 ou do Nasdaq ao anúncio do corte será provavelmente neutra.
O verdadeiro foco de atenção estará nas palavras de Jerome Powell. O presidente da Fed fará a conferência de imprensa logo após a decisão. Os investidores procuram pistas sobre o futuro. Especificamente, eles querem saber:
- Quantos cortes de juro estão previstos para 2026?
- Qual é a visão da Fed sobre a inflação no primeiro trimestre?
Se Powell adotar um tom mais “dovish”, prometendo mais cortes em 2026, as bolsas reagirão em alta. Neste caso, o mercado entra em modo de euforia. Além disso, as ações tecnológicas beneficiam particularmente.
Pelo contrário, se Powell soar mais “hawkish”, sugerindo que o corte de dezembro é isolado, haverá desilusão. Consequentemente, podemos assistir a uma correção. A volatilidade continuará alta até o final do ano.

Dólar Americano: A Resposta à Projeção
O dólar americano (USD) sente o impacto da política monetária de forma muito direta. Tal como nas ações, o corte de dezembro já está largamente embutido no valor atual da moeda.
Assim, a chave para o movimento do dólar reside na projeção futura da Fed.
Se Powell confirmar que a Fed planeia vários cortes adicionais em 2026, a atratividade do dólar cai. Por isso, o dólar desvalorizará face ao Euro e a outras moedas principais no longo prazo. O capital estrangeiro move-se para ativos mais rentáveis.
No entanto, se Powell for cauteloso e indicar que a Fed precisa de mais tempo para avaliar os dados, o dólar poderá fortalecer-se. Um discurso “falcão” implica que o diferencial de juros entre os EUA e a Europa se manterá. Desta forma, o dólar funcionará como um refúgio seguro de forma temporária.
Em resumo, a conferência de Powell ditará a trajetória do dólar até ao final do ano.
Conclusão: Uma Semana Decisiva
Em suma, dezembro de 2025 será um marco para a economia global. Os economistas estão convictos, mas a Fed hesita.
Os investidores devem manter a cautela. A volatilidade será a palavra de ordem até ao anúncio oficial. Independentemente da decisão, o impacto sentir-se-á desde Nova Iorque até Lisboa. Acompanhe a nossa análise assim que a decisão for anunciada.
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