S&P 500 em máximos, Bitcoin com divergências críticas e a história a rimar de forma perigosa.
Diz o ditado que “a história não se repete, mas rima”. Olhando para os gráficos que tenho hoje à minha frente, a rima não é apenas sonora; é visual e assustadoramente técnica. Estamos a viver um momento de euforia que me faz recuar a finais de 2021, pouco antes de o mercado de capitais enfrentar uma das suas correções maiores da última década.
Neste artigo, vou mostrar-te por que razão as semelhanças entre o topo de janeiro de 2022 e o momento atual de 2025/2026 são impossíveis de ignorar. Vamos analisar a correlação S&P 500 vs. Bitcoin e por que razão a frase “não compramos proteção quando queremos, mas sim quando está barata” deve ser o teu mantra para os próximos meses.
1. O S&P 500 e o “Dejà Vu” de Janeiro de 2022
Em 2021, vivemos um rali épico que culminou num máximo histórico em janeiro de 2022. Na altura, o otimismo era absoluto. O que se seguiu foi uma correção de mais de 25% que “limpou” biliões de dólares em valor de mercado.

Hoje, o S&P 500 está novamente em máximos históricos. A estrutura do preço é quase um espelho. Estamos num nível de extensão onde os fundamentais (como vimos no nosso artigo sobre o PIB dos EUA) estão fortes, mas o mercado já descontou o cenário perfeito. Quando o mercado atinge este estado de “perfeição”, qualquer vento contrário transforma-se numa tempestade.

2. Bitcoin: O Alerta Vermelho na Divergência do RSI
Se o S&P 500 é o motor do mercado, o Bitcoin é o canário na mina de carvão. E o que o canário nos está a dizer agora é preocupante.
- Novembro de 2021: O Bitcoin atingiu o seu máximo, mas o RSI (Relative Strength Index) já mostrava uma divergência negativa. O preço subia, mas a força compradora diminuía. O resultado? Uma queda brutal.

- Outubro de 2025: A história repete-se com uma precisão matemática. Atingimos novos máximos em outubro, mas o RSI está novamente a divergir. O preço faz “higher highs”, mas o indicador faz “lower highs”.

Esta divergência no RSI é o sinal técnico mais fiável de que a tendência está exausta. Em 2021, o Bitcoin começou a cair em novembro, antecipando o topo do S&P 500 que só chegaria em janeiro. Estaremos a ver o mesmo filme agora? O Bitcoin já deu o sinal; o mercado acionista poderá ser o próximo a tombar.
3. A Correlação Fatídica: Quando tudo cai ao mesmo tempo
Muitos investidores acreditam que o Bitcoin é um refúgio, mas a história de 2022 provou o contrário. Quando o S&P 500 finalmente cedeu em janeiro de 2022, o Bitcoin — que já vinha a cair — acelerou a sua queda. Não houve lugar para esconder.
Se a correção do mercado 2026 seguir este guião, veremos uma liquidação coordenada. O capital sairá dos ativos de risco (Cripto e Tech) para procurar a liquidez do Dólar.
4. Por que o VIX é a tua Única Salvação Agora?
Como discuti no artigo sobre acumular VIX, a volatilidade está em níveis de “piso”. É aqui que entra a frase de ouro:
“Não compramos proteção quando queremos, mas sim quando está barata.”
Esperar que o mercado caia 10% para comprar seguros (VIX, Puts ou Ouro) é um erro de principiante. Nessa altura, o prémio do seguro já disparou. Comprar volatilidade agora, enquanto o S&P 500 ainda festeja os máximos e o Bitcoin mascara a sua fraqueza técnica, é a decisão mais racional para um gestor de risco.
5. O Ciclo Político e Económico: Trump e a Liquidez
Não podemos esquecer que, tal como em 2017/2018, estamos a entrar num ciclo onde as tarifas e a política monetária podem gerar choques de oferta. O mercado subiu com a promessa de desregulação, mas pode cair com a realidade da inflação persistente e juros “higher for longer”. Se o PIB americano começar a abrandar após este pico de 4,3%, a queda será rápida e dolorosa.
6. O Abismo Fiscal de Janeiro e o “Shutdown” do Governo
O primeiro grande catalisador para a correção do mercado 2026 reside no calendário legislativo de Washington. O atual acordo orçamental dos EUA tem um limite crítico em finais de janeiro de 2026, o que coloca o governo perante o risco real de um novo encerramento total (shutdown). Como vimos no relatório do PIB do 3.º trimestre de 2025, o encerramento anterior já causou atrasos significativos na divulgação de dados económicos e gerou incerteza institucional. Se o Congresso não chegar a um novo consenso antes do prazo de janeiro, a interrupção dos serviços federais e a suspensão de pagamentos podem ser o “cisne negro” que empurra o S&P 500 do seu máximo histórico para uma espiral de venda, à medida que a confiança dos investidores na estabilidade fiscal americana se deteriora.
7. Tarifas e Tribunais: A Batalha Jurídica como Gatilho
Paralelamente à crise orçamental, o mercado enfrenta um risco jurídico subestimado: as decisões dos tribunais sobre as novas políticas de tarifas. Durante o ano de 2025, a implementação de tarifas agressivas serviu de combustível para a retórica de crescimento interno, mas espera-se que as grandes batalhas judiciais atinjam o seu auge no início de 2026. Se os tribunais começarem a bloquear ou a questionar a legalidade destas medidas, o mercado poderá reagir negativamente à perda de previsibilidade económica. Esta incerteza jurídica, combinada com a divergência de RSI que já observamos no Bitcoin e no S&P 500, cria o cenário perfeito para uma correção técnica profunda, onde o capital abandonará rapidamente os ativos de risco à procura de refúgio no Dólar.
8. Conclusão: Prepara o teu Bote Salva-Vidas
A minha visão é clara: os sinais técnicos de divergência no Bitcoin e a exaustão do S&P 500 apontam para uma correção do mercado 2026 que poderá ser tão ou mais severa que a de 2022.
Não estou a dizer para venderes tudo — como sabes, sou altista a longo prazo. No entanto, estou a dizer para comprares proteção agora. Usa os lucros das tuas posições em Bitcoin e S&P 500 para financiar o teu seguro no VIX e no DXY.
A história está a dar-nos o mapa. Vais segui-lo ou vais esperar que o mercado te tire os lucros à força? Deixa o teu comentário sobre esta divergência do RSI abaixo!




