A Bomba Oracle

O Equilíbrio Perigoso Entre o Crescimento da IA e o Abismo da Dívida

Eu observo o mercado financeiro há anos e poucas vezes vi uma gigante tecnológica caminhar sobre uma linha tão tênue quanto a Oracle Corporation faz agora. Recentemente, o termo “bomba” começou a circular nos corredores de Wall Street para descrever a situação da empresa. Embora o crescimento na nuvem seja real, os riscos estruturais crescem na mesma proporção, criando um cenário de “tudo ou nada”.

Neste artigo, eu analiso como a Oracle se tornou uma das empresas mais alavancadas do setor. Vou explorar o contrato bilionário que evaporou, o estado atual das suas contas e por que os investidores estão a ficar nervosos.


A Montanha de Dívida: O Calcanhar de Aquiles da Oracle

Atualmente, eu considero a dívida da Oracle o seu maior sinal de alerta. No final de 2025, os dados mostram que a dívida total da empresa ultrapassou a marca dos 95 mil milhões de dólares. Este valor coloca a Oracle numa posição muito mais vulnerável do que os seus concorrentes diretos, como a Microsoft ou a Google.

Esta alavancagem não aconteceu por acaso. Eu noto que a empresa tem investido agressivamente para transformar a sua infraestrutura de base de dados antiga numa potência de Cloud Infrastructure (OCI). Contudo, o custo deste capital está a subir. Com as taxas de juro em níveis elevados, o serviço desta dívida consome uma fatia considerável do fluxo de caixa operacional.

O Contrato Perdido e o Recuo da Blue Owl Capital

Um dos golpes mais duros na confiança do mercado ocorreu há poucos dias. Eu acompanhei com atenção o relatório de que a Blue Owl Capital, uma parceira de financiamento crucial, decidiu não avançar com um contrato de 10 mil milhões de dólares. Este montante destinava-se a financiar um gigantesco centro de dados de 1 gigawatt no Michigan, focado em servir a OpenAI.

Embora a Oracle tenha vindo a público afirmar que o projeto continua no prazo, a saída de um financiador deste porte levanta questões legítimas. Eu acredito que este recuo reflete o medo dos credores quanto à capacidade da Oracle de sustentar mais dívida. Se os parceiros de capital privado começam a hesitar, a Oracle terá de usar o seu próprio balanço, o que já está esticado ao limite.


Quedas na Bolsa e Resultados Trimestrais Mistos

O mercado reagiu com severidade a estas incertezas. Em dezembro de 2025, eu vi as ações da Oracle caírem mais de 14% numa única sessão após a divulgação dos últimos resultados trimestrais. Mas por que tamanha queda se as receitas subiram?

  • Receita abaixo do esperado: A empresa reportou 16,1 mil milhões de dólares, ligeiramente abaixo das previsões de 16,2 mil milhões.
  • Margens sob pressão: O custo de construir centros de dados para IA está a corroer a rentabilidade imediata.
  • Fluxo de caixa livre negativo: Em termos trimestrais, a empresa chegou a apresentar números preocupantes nesta métrica.

Apesar de o lucro por ação (EPS) ter sido impulsionado pela venda de participações na Ampere, eu sinto que os investidores ignoraram esse ganho contabilístico. O foco recaiu totalmente na sustentabilidade do modelo de negócio face aos gastos massivos.

Os CDS da Oracle: O Termómetro do Medo

Eu sempre olho para os Credit Default Swaps (CDS) para medir o risco real de uma empresa. Recentemente, os spreads dos CDS da Oracle dispararam para mais de 120 pontos base. Isto significa que o custo para segurar a dívida da Oracle contra um incumprimento duplicou em poucos meses.

Fonte: Bloomberg

Quando os CDS sobem desta forma, o mercado de obrigações está a dizer-nos que o risco de crédito é real. Eu verifico que alguns analistas já comparam estes níveis aos vistos em empresas com classificações de crédito muito inferiores. Se a Oracle perder o seu “investment grade”, o custo de refinanciamento da sua dívida atual pode tornar-se insustentável.


Previsões dos Analistas: Vale a Pena o Risco?

Surpreendentemente, muitos analistas mantêm uma visão otimista. Eu vejo que as previsões de crescimento de receitas para os próximos anos superam os 20% ao ano. O argumento é que a Oracle tem uma carteira de pedidos (RPO) superior a 500 mil milhões de dólares.

Muitos consideram que a Oracle está “barata” quando olhamos para o rácio preço/lucro futuro. No entanto, eu sublinho que este preço baixo é um reflexo direto do risco de execução. Se a Oracle conseguir converter esses pedidos em dinheiro vivo antes de a dívida a sufocar, será o negócio do século. Caso contrário, a bomba pode explodir.

“A Oracle está a apostar tudo na IA. É uma jogada de mestre se funcionar, mas uma armadilha mortal se a procura arrefecer.”


Conclusão: Um Gigante em Cima de um Barril de Pólvora

Em resumo, eu vejo a Oracle como uma empresa em transição violenta. Ela possui a tecnologia e os clientes, mas falta-lhe o oxigénio financeiro que as outras Big Tech possuem. A dependência de capital externo e o aumento dos CDS tornam a situação precária.

Eu recomendo que qualquer investidor analise não apenas o crescimento da nuvem, mas também o cronograma de vencimento da dívida. A “Bomba Oracle” está armada; resta saber se a administração conseguirá desativá-la com lucros reais ou se o mercado acabará por perder a paciência.

Gostaria que eu fizesse uma análise detalhada sobre como o endividamento da Oracle se compara especificamente com a Microsoft e a Amazon no setor de Cloud?

Artigo de interesse: Os Melhores Negócios do Mundo – WorkMarkets The Best Businesses in the World – WorkMarkets

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